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João Perna era afinal um preso de boa vontade.
Sem ter cometido crime algum, aceitou ser preso preventivamente e partilhar a cela de Carlos Santos Silva para lhe ''arrancar'' uns segredos.
E, como prémio, saíu da cadeia.
Bem ouvida a reportagem ontem emitida pelo Correio da Manhã, foi essa a mensagem que os super magistrados, para darem fé das suas manhas e do seu poder fabuloso, mandaram o pasquim revelar, transmitindo-lhe alguns segredos.
Nas mãos e no arbítrio dos super magistrados, a prisão preventiva pode ser aplicada como meio para interrogar uma testemunha.
Os super magistrados proibiram também José Sócrates de dar entrevistas aos orgãos de comunicação social, pois as suas declarações poderiam condicionar os depoimentos das testemunhas.
Mas Marcelo Rebelo de Sousa sugere uma medida radical: ''Só morto é que se cala.''
Os super magistrados estarão a pensar introduzir na jurisprudência uma nova medida preventiva de coacção? A execução preventiva?
''Qualquer suspeito pode, caso o interesse da justiça o determine e quando se verifique que pode prejudicar as diligências de investigação, ser condenado preventivamente à morte.''
Tudo é já possível.

Foto retirada do google

 

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15:40


João Araújo, advogado de José Sócrates, não foi autorizado por Jaime Martins, Ordem dos Advogados, a divulgar o teor do recurso que apresentará hoje requerendo a libertação do seu constituinte.
Invoca, para fundamentar a sua decisão a sugestão de um livrito de um correlegionário. ''Deontologia profissional'' de Carlos Mateus.
“Usar os meios de comunicação social para conseguir alcançar objectivos processuais é recorrer a meios desleais de defesa dos interesses das partes”
Não sei se João Araújo vai acatar a autoridade de Jaime Martins. Não conhecemos a posição de Elina Fraga, embora se possa deduzir da sua coerência.
Se João Araújo acatar, quem perturbou, afinal, a ordem pública?

O envolvimento do SOL, do Correio da Manhã, da revista SÁBADO, para citar alguns, na manipulação pública do processo contra José Sócrates, a par da insistente recalcitrância destes meios de comunicação social em se apresentarem como porta voz da super magistratura, há muito que deixaram a nu que existe um ''lobby'' de extrema direita encapotado na magistratura portuguesa, que tem administrado mediaticamente todo o universo dos processos associados a temas políticos.


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16:04

Inesperadamente, o contabilista Francisco Machado da Cruz telefonou a Fernando Negrão para lhe comunicar que não estava desaparecido. Na véspera, Ricardo Salgado comentara ‘’não fui eu que o fiz desaparecer’’, sugerindo, se a minha intuição hermenêutica não está enferma, que alguém o fizera desaparecer, na pior das hipóteses do alcance de Ricardo Salgado. É lícito imaginarmos que, se alguém o fez desaparecer, alguém o fez aparecer, no momento oportuno.

Fernando Negrão, o Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES, foi Director Nacional da Polícia Judiciária. Não sei porque razão, ao ouvir e ver Francisco Negrão transmitir que o contabilista lhe telefonara a comunicar que não está fugido nem desaparecido e se encontra disponível para prestar depoimento na Comissão, a ‘’coisa’’ me pareceu uma daquelas conferências de imprensa de última hora da Polícia Judiciária, a comunicar uma apreensão sensacional de droga.

No âmbito do processo de investigação que corre no DCIAP, os principais depoentes no âmbito do Inquérito Parlamentar estão constituídos arguidos e foram-lhes impostas medidas de coacção severas. Ao Presidente do BES, Ricardo Salgado, foi aplicada uma caução em substituição da prisão preventiva. É suposto que uma das medidas aplicadas seja a proibição de todos os arguidos estabelecerem e desenvolverem contactos entre si.

Se tudo o resto decorresse na normalidade, sem o aparato cénico que se tornou habitual em torno das intervenções da justiça com envolvimentos políticos, esta medida preventiva seria porventura compreensível e compatível com a normalidade, ou mesmo desejável.

Das duas uma, como é hábito dizer. Os tempos da justiça e os da política andam descoordenados ou andam escrupulosamente coordenados.

A mim, pessoalmente, parece-me que andam muito bem coordenados. Sendo estes processos de grande complexidade e sendo também certo que se tornou num hábito dos magistrados e investigadores em Portugal anteciparem a investigação com medidas que, em regime de normalidade, pressuporiam já uma consolidação madura das suspeitas, o DCIAP e o TCIC entenderam sabiamente que a melhor forma de a investigação se esgueirar através da complexidade seria fechar os suspeitos todos na mesma cela na Assembleia da República. Meter tudo num saco de gatos.

Os investigadores sabem que quando proíbem os suspeitos de comunicarem entre si estimulam o apetite e impulsionam a comunicação. Basta depois apurar o ouvido. Mas nunca tinha ocorrido antes aos investigadores pôr os suspeitos todos à bulha na ‘’Casa dos Segredos’’.

Aquilo a que temos assistido no Parlamento é deplorável. Uma tragicomédia.

Resta-nos a inspiração para uma novela, plena de condimentos e alusões à torpeza humana.

Mas o papel mais deplorável nesta comédia foi assumido pela oposição, nomeadamente o PCP e o Bloco de Esquerda, que assimilaram na perfeição o seu espaço e o seu tempo na comédia, deslumbrados com a clarividência e a espontaneidade de José Maria Ricciardi e reforçando os argumentos sobre que se fundamentou a intervenção e o programa de Carlos Costa.

É tudo uma grande trapalhada e nunca entenderemos o que se passou com o BES. Mas o perfil do culpado disto tudo está conclusivamente traçado.

O tema do terceiro acto da comédia será a limpeza do retrato de Ricardo Salgado, tal como se limpa o de Oliveira e Costa. Mas isso ficará para depois, quando o Novo Banco estiver vendido e estiver constituída a PARVALOREM do BES para administrar o lixo. Então conhecer-se-há o rol dos devedores que enganaram Ricardo Salgado.

Nada de novo a leste deste inferno.

Mas fica uma questão por responder.

O Ricardo Salgado é idiota? Porque razão foi ao Parlamento declarar com tanta convicção que o seu contabilista estava desaparecido se sabia que, na manhã seguinte, telefonaria ao Fernando Negrão a fazer ‘’prova de vida’’?

Quem semeou a desordem pública?

 

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18:19


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