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João Araújo, advogado de José Sócrates, não foi autorizado por Jaime Martins, Ordem dos Advogados, a divulgar o teor do recurso que apresentará hoje requerendo a libertação do seu constituinte.
Invoca, para fundamentar a sua decisão a sugestão de um livrito de um correlegionário. ''Deontologia profissional'' de Carlos Mateus.
“Usar os meios de comunicação social para conseguir alcançar objectivos processuais é recorrer a meios desleais de defesa dos interesses das partes”
Não sei se João Araújo vai acatar a autoridade de Jaime Martins. Não conhecemos a posição de Elina Fraga, embora se possa deduzir da sua coerência.
Se João Araújo acatar, quem perturbou, afinal, a ordem pública?

O envolvimento do SOL, do Correio da Manhã, da revista SÁBADO, para citar alguns, na manipulação pública do processo contra José Sócrates, a par da insistente recalcitrância destes meios de comunicação social em se apresentarem como porta voz da super magistratura, há muito que deixaram a nu que existe um ''lobby'' de extrema direita encapotado na magistratura portuguesa, que tem administrado mediaticamente todo o universo dos processos associados a temas políticos.


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16:04

Inesperadamente, o contabilista Francisco Machado da Cruz telefonou a Fernando Negrão para lhe comunicar que não estava desaparecido. Na véspera, Ricardo Salgado comentara ‘’não fui eu que o fiz desaparecer’’, sugerindo, se a minha intuição hermenêutica não está enferma, que alguém o fizera desaparecer, na pior das hipóteses do alcance de Ricardo Salgado. É lícito imaginarmos que, se alguém o fez desaparecer, alguém o fez aparecer, no momento oportuno.

Fernando Negrão, o Presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BES, foi Director Nacional da Polícia Judiciária. Não sei porque razão, ao ouvir e ver Francisco Negrão transmitir que o contabilista lhe telefonara a comunicar que não está fugido nem desaparecido e se encontra disponível para prestar depoimento na Comissão, a ‘’coisa’’ me pareceu uma daquelas conferências de imprensa de última hora da Polícia Judiciária, a comunicar uma apreensão sensacional de droga.

No âmbito do processo de investigação que corre no DCIAP, os principais depoentes no âmbito do Inquérito Parlamentar estão constituídos arguidos e foram-lhes impostas medidas de coacção severas. Ao Presidente do BES, Ricardo Salgado, foi aplicada uma caução em substituição da prisão preventiva. É suposto que uma das medidas aplicadas seja a proibição de todos os arguidos estabelecerem e desenvolverem contactos entre si.

Se tudo o resto decorresse na normalidade, sem o aparato cénico que se tornou habitual em torno das intervenções da justiça com envolvimentos políticos, esta medida preventiva seria porventura compreensível e compatível com a normalidade, ou mesmo desejável.

Das duas uma, como é hábito dizer. Os tempos da justiça e os da política andam descoordenados ou andam escrupulosamente coordenados.

A mim, pessoalmente, parece-me que andam muito bem coordenados. Sendo estes processos de grande complexidade e sendo também certo que se tornou num hábito dos magistrados e investigadores em Portugal anteciparem a investigação com medidas que, em regime de normalidade, pressuporiam já uma consolidação madura das suspeitas, o DCIAP e o TCIC entenderam sabiamente que a melhor forma de a investigação se esgueirar através da complexidade seria fechar os suspeitos todos na mesma cela na Assembleia da República. Meter tudo num saco de gatos.

Os investigadores sabem que quando proíbem os suspeitos de comunicarem entre si estimulam o apetite e impulsionam a comunicação. Basta depois apurar o ouvido. Mas nunca tinha ocorrido antes aos investigadores pôr os suspeitos todos à bulha na ‘’Casa dos Segredos’’.

Aquilo a que temos assistido no Parlamento é deplorável. Uma tragicomédia.

Resta-nos a inspiração para uma novela, plena de condimentos e alusões à torpeza humana.

Mas o papel mais deplorável nesta comédia foi assumido pela oposição, nomeadamente o PCP e o Bloco de Esquerda, que assimilaram na perfeição o seu espaço e o seu tempo na comédia, deslumbrados com a clarividência e a espontaneidade de José Maria Ricciardi e reforçando os argumentos sobre que se fundamentou a intervenção e o programa de Carlos Costa.

É tudo uma grande trapalhada e nunca entenderemos o que se passou com o BES. Mas o perfil do culpado disto tudo está conclusivamente traçado.

O tema do terceiro acto da comédia será a limpeza do retrato de Ricardo Salgado, tal como se limpa o de Oliveira e Costa. Mas isso ficará para depois, quando o Novo Banco estiver vendido e estiver constituída a PARVALOREM do BES para administrar o lixo. Então conhecer-se-há o rol dos devedores que enganaram Ricardo Salgado.

Nada de novo a leste deste inferno.

Mas fica uma questão por responder.

O Ricardo Salgado é idiota? Porque razão foi ao Parlamento declarar com tanta convicção que o seu contabilista estava desaparecido se sabia que, na manhã seguinte, telefonaria ao Fernando Negrão a fazer ‘’prova de vida’’?

Quem semeou a desordem pública?

 

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18:19

Um manifesto de explícito alinhamento político constitui-se em ''verdade dos factos''! O Correio da Manhã elege o menos democrata dos líderes de governo depois do 25 de Abril e invoca a verdade dos factos. A baixa e boçal cultura de Octávio Ribeiro não lhe permitiu aperceber-se de que está a contaminar a ''acção da justiça'' com os seus propósitos e alinhamentos políticos. Após ler esta ''joia'' incauta fico convicto de que a verdade dos factos é essa mesma. A acção do Juiz Carlos Alexandre teve em vista eleger o menos democrático governante depois do 25 de Abril? Com a cumplicidade, ou instigado pelo Correio da Manhã?

A única coisa que os super magistrados conseguiram demonstrar é que são capazes e lhes é permitido deter e indiciar um ex-primeiro ministro, na condição de que os seus adversários políticos sejam primeiros ministros. E de que os seus correlegionários políticos, no propósito de branquearem passadas cumplicidades e de aplanarem o caminho, adiram também. Uma feliz convergência de intenções.


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18:19

Investiga????!!!! Mas investiga o quê?!!!

A televisão tem divulgado imagens obscenas, mostrando o Juiz Carlos Alexandre a interrogar José Sócrates numa sala de rés do chão equipada com amplas vidraças, com diáfanas cortinas de ''organdi'', através das quais os jornalistas espiam, em nome dos direitos e liberdades.
Tal passara-se já com os interrogatórios dos suspeitos da operação Labirinto.
A Senhora Procuradora não sabe que os surdos mudos desenvolveram astutas habilidades para escutar através da descodificação dos movimentos dos lábios?

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18:05

As Portas da Remax

por MCN, em 21.11.14

Que poderemos pensar quando um ministro, no âmbito de uma interpelação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre os denominados ''vistos golden'', pergunta a um dos membros da Comissão quem cria mais emprego em Portugal, o Bloco de Esquerda ou a REMAX?
Note-se que o Ministro em causa é assumidamente o autor da concepção do ''visto'', embora, ao que se diz, nada tenha que ver com a execução dos planos de arquitectura.
No mínimo, poderemos suspeitar de que os ''vistos golden'' não foram arquitectados para ''atrair'' investimento de estrangeiros, nem para que esse investimento ''gerasse'' riqueza ou criasse emprego. Mas para ''agilizar'' os negócios de especulação imobiliária. E, agilizando esses negócios, motivar os portugueses para construirem de novo casas, para que empreguem pedreiros e carpinteiros.
O Vice Primeiro Ministro de Portugal elegeu a REMAX como ''pivot'' no processo de implementação dos ''vistos golden''. Os ''chineses'' eram um acessório.
Como português, sinto-me rebaixado sempre que vejo o ministro Paulo Portas em público, revestido de arrogância, com aquele tom de voz de títere das comédias, proferir enormidades, sem qualquer contenção moral. Não entendi a razão porque a Comissão de Inquérito, após a intervenção de Paulo Portas, não desmantelou o ministro, os vistos, a hipocrisia da retórica governamental acerca da riqueza, mas sobretudo sobre a justiça.
''Pela boca morre o peixe'', diz-se. Há peixes que arrastam o cardume com a boca.

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19:46

Estamos sem dúvida perante um corrosivo, persistente e diabólico golpe institucional por parte de uma ala da magistratura, claramente envolvida com tenebrosos objectivos políticos.
É sabido que Miguel Macedo mantinha com a Ministra da Justiça uma contenda acerca da concentração de poderes na Polícia Judiciária e da exclusividade da Polícia Judiciária no âmbito da investigação criminal.
Se de facto existia um quadro de ilícitos na administração dos procedimentos de atribuição de vistos golden, os super-magistrados e a Polícia Judiciária já desmantelaram a credibilidade e dignidade do processo, remetendo-o para o elenco das manobras circences.
O estado de direito não é compatível com o facto de, para dar cobertura a uma intenção política deliberada, os detalhes dos interrogatórios aos arguidos e as suspeitas não confirmadas nem consolidadas da Polícia Judiciária serem difundidos em cima da hora pela comunicação social.
Apraz-me desde já tomar posição em relação à nomeação da nova Ministra da Administração Interna, que vem reforçar a ala da Ministra da Justiça no governo da coligação. O Bloco de Esquerda insolitamente apoia a nomeação.
Da Operação Labirinto, uma vez mais, fica a manobra e o propósito político, o circo da comunicação social e mais um grave atentado ao estado de direito. E sérias preocupações face à impunidade de uma magistratura que se julga acima da lei.
Aguarda-se que os super magistrados tenham também a dignidade de se demitirem.

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14:40

Vistos Gold

por MCN, em 17.11.14

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Claro que não! O rapaz que trabalha nos carroceis não tem acesso a vistos golden.
Por mim, permaneço convicto de que quem deu instruções ao Director Nacional do SEF para ''agilizar os procedimentos'' foi Paulo Portas e talvez a Ministra das Finanças.
Havia que reforçar a sustentabilidade do Orçamento Geral do Estado.


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18:50

Afinal, era como te dizia. Foram só duas garrafas de vinho.

 

 

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18:44

Vistos Gold: No cúmulo da ironia.

por MCN, em 15.11.14

O Governo de Portugal, nomeadamente a Ministra da Justiça, e os ''super magistrados'' deviam ser muito cautelosos com a informação que passam aos orgãos de comunicação social, o tal quarto poder, e investir no rigor das investigações.
Para que não nos fique a imagem de que a sua impunidade exigia a descredibilização e o desmantelamento do Serviço de Informações de Segurança da República.

 

 

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22:28

O Labirinto do SIS

por MCN, em 15.11.14

''Quem tem ouvidos para ouvir que ouça.''

O derradeiro sentido da agenda de intervenção no combate à corrupção tem um sentido muito consistente, embora de difícil descodificação. Foi codificado pela polícia secreta.
Os advogados dos arguidos no processo LABIRINTO têm alegado junto da comunicação social que estão inibidos de comentar o assunto porque o processo, ele próprio, é secreto.
Mas nunca se soube tanto sobre os detalhes de um processo. Sabemos mesmo que tudo partiu de Tabuaço.
Mas, afinal, onde anda o Miguel Relvas?

Na verdade, já ninguém apaga a imagem de que tudo isto são ajustes de contas e guerras entre espiões. Refiro-me explicitamente às declarações da Ministra da Justiça acerca da impunidade.

 

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22:12


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