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Do ponto de vista da ''factualidade'' como se usa agora dizer em dialecto judicial, a implantação da República foi sobretudo resultado de um encadeamento de episódios protagonizado pela Maçonaria.

Sendo certo que a Maçonaria é uma sociedade secreta, embora nos últimos tempos faça um esforço para se apresentar menos secreta e mais cristalina, a sua vida interna não será propriamente um domínio da democracia. Pelo que a associação imediata e mecânica entre república e democracia é um preconceito perigoso.
Uma das mais apelativas e pujantes obras de retórica historiográfica da cultura portuguesa, ''Os Factores Democráticos na História de Portugal'', do republicano Jaime Cortesão, tem por propósito demonstrar que o ''foyer'' em que fermentaram as instituições democráticas foi o modelo específico que em Portugal assumiu a vassalagem durante oito séculos de monarquia, nomeadamente durante a primeira e segunda dinastias. Pessoalmente, penso que Jaime Cortesão não pôde avaliar, até às últimas consequências, os limites de interpretação e aplicação da sua doutrina historiográfica.
Em Portugal, mobilizaram-se em torno do salazarismo anarquistas, futuristas, modernistas, surrealistas, etcetera e tal. Mas todos entendendo indignados que o salazarismo era um fascismo educado e imperfeito.
No seu conservadorismo moralista, o ''republicanismo histórico'' transformou-se no ''foyer'' onde se alojou um impertinente salazarismo. Orgânico e inorgânico.

O que pretendo dizer é muito claro, ainda que a forma pareça tenebrosa.
Sempre que a República se apresentar contra Democracia, eu defenderei a Democracia contra a República.

Como não me parece ser ainda o caso, viva a República!


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