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Saco meio, saco cheio

por MCN, em 26.01.14

Foi Manuela Ferreira Leite, a nova estrela eleita pela direita, juntamente com Bagão Félix, para a comunicação social vender como a alternativa séria, por dentro, ao projecto de governação da coligação, quem fez o alarde.

O governo, mais explicitamente, nas palavras de Ferreira Leite, a Ministra das Finanças, orçamentou, sem despesa nem rubrica, um pouco mais de meio milhão de milhões de Euros em sede de OGE para 2014. Alegadamente e muito bem um ‘’saco azul’’.

 

A verba alcança em 2014 apenas metade do montante do ‘’saco azul’’ orçamentado em sede de OGE para 2012 por Vítor Gaspar. Entretanto, foram aprovados os orçamentos para 2013 e para 2014 e ninguém quis saber do paradeiro de mil milhões de Euros, que ficaram em balancete no défice público. A oposição deve ter adormecido ou esqueceu.

 

Em défice público - aquele ‘’saco azul’’ que já ninguém parece querer saber como é constituído - cabe tudo. O que é importante é que cresça e interessa a todos : à oposição para poder alegar que o governo é incompetente, ao governo para alegar que não conseguiu ainda fazer mais do que tentar consolidar o défice de longa duração herdado de José Sócrates.

 

Mas o curioso é que, ao fazer eclodir o alarido a propósito do ‘’saco azul’’ de Maria Luís, Manuela Ferreira Leite confessa que o novo ‘’saco azul’’ é despropositado e ascende ao dobro do montante do maior ‘’saco azul’’ que orçamentou no seu tempo.

Seja, Maria Luís tem agora um travesseiro, enquanto Manuela Ferreira Leite dormia sozinha e se servia de uma simples ‘’almofada’’.

 

É curioso registar que o termo ‘’almofada’’ para designar um ‘’saco azul’’ surge em 2004 quando Manuela Ferreira Leite ultrapassou a fasquia de duzentos milhões de Euros para o amortecimento eventual da sua queda. Não necessitou de recorrer ao ‘’saco azul’’, quem lhe amorteceu a queda foi Bagão Félix, que herdou o meio ‘’saco azul’’.

Na altura, João Cravinho referia-se assim ao ‘’saco azul’’ de Manuela Ferreira Leite.

 

‘’Portanto houve uma almofada como se costuma afirmar, que é extraordinária. Nunca se verificou na história das Finanças Públicas qualquer almofada desse tipo, aquilo não é uma almofada, é um colchão.’’

 

E acusava ainda a Ministra das Finanças de Durão Barroso de estar a tentar ‘’vender a dívida fiscal’’ para criar um ‘’saco azul extraordinário’’. As habilidades com a dívida vêm de trás.

 

Lendo hoje João Cravinho com atenção fico com a sensação de que o então deputado nem sabia bem do que falava e confundia dívida com crédito público, pois referia-se, sem dúvida, às dívidas ‘’irrecuperáveis’’ ao fisco e à segurança social. Uma espécie de ‘’activos’’ BPN, que têm entrado em contabilidade do défice público como ‘’passivos’’.

 

Ora, estou a desviar-me do meu propósito. Que era, primeiro do que tudo, manifestar a minha surpresa face à audiência que a oposição, em bloco, parece estar a dar a estes dois novos ‘’gurus’’, sem nunca assinalar que Ferreira Leite e Bagão Félix foram os ministros das finanças de Durão Barroso e de Pedro Santana Lopes.

 

Ao PS interessa também apanhar a boleia da direita ultramontana do PSD e do CDS, para as quais Passos Coelho dever parecer muito ‘’liberal’’. Por essa razão, falha-lhes a memória dos ‘’sacos azuis’’.

 

Deixo aqui e aqui memória para dois ‘’sacos’’ peculiares no âmbito da tradição portuguesa de ‘’sacos meios e sacos cheios’’.

 

Durante a minha infância a inquietação dos meninos era um tal ‘’homem do saco’’.  Isto é tudo um ‘’saco de gatos’’.

 

 

 

 

 

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21:16


1 comentário

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De Comentário sem relação com o post . a 03.02.2014 às 18:06

Soube hoje que os reformados da CP deixaram de ter direito a viagens grátis. E pelos vistos já é assim há um ano.
A MESQUINHEZ deste governo não tem paralelo. Parece que se sentiam incomodados com qualquer pequeno prazer que um pobre reformado da CP pudesse ter. Como se, com esta medida, os reformados da CP passando a pagar fossem motivo de lucro para a companhia. Que gente IGNÓBIL!
Sei que o insulto não é argumento mas perante isto qualquer argumento, que não o insulto, seria estúpido.

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